Thursday, October 30, 2008

Scriptorium

Sempre gostei muito desta imagem.
Não sei quando foi a primeira vez que a vi, mas gosto de imaginá-la quando estou a transcrever algum documento e imaginar que foi escrito (dei por mim a escrever scripto) num lugar assim.
Dá-me calma...

Tuesday, October 28, 2008

Epigrafia Portuguesa




Ainda não falei da outra área pela qual me interesso tanto como pela Paleografia. É a Epigrafia Portuguesa. Achei engraçado deixar aqui umas fotografias do meu 2º ano de Licenciatura, já há uns anos, a começar um trabalho (o decalque para o trabalho) cuja epígrafe que deveria ser o tema acabou por nem ser esta mas uma da Igreja de S. Roque (esta é na Sé de Lisboa). O dia, passado com a ajuda da minha irmã Madalena (a fotógrafa) e o meu primo Miguel a ajudar no decalque, valeu a pena.
Quem me conhece sabe que nunca fico indiferente quando vejo uma epígrafe e faz-me imensa confusão vê-las sem serem protegidas (quando muitas vezes poderiam perfeitamente ser) sendo pisadas por turistas e mais turistas, e também portugueses, dia após dia nas Igrejas ou Monumentos mais conhecidos.

Isto acontece porque as pessoas não sabem sequer o valor histórico que uma epígrafe pode ter. Até ter esta cadeira na Faculdade, eu mesma passava por imensas, nos mais diversos locais, sem sequer me dar conta de estar a passar por cima delas.

Por isso aqui fica uma nota à vossa consciência! Quando entrarem num Monumento, olhem bem para o chão e evitem pisá-las. Se a nossa geração já mal as consegue ler, imaginem a próxima...

Friday, October 24, 2008

Para mais informações...




Como já perceberam, o meu objectivo é trabalhar!

Quero transcrever e também quero aprender enquanto o faço.

Não sou ainda profissional, mas quero ser!!


Não estou inscrita no Mestrado em Paleografia porque não abriu inscrições este ano, mas estou no de História Medieval.

Sou licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. E nas cadeiras de Paleografia Medieval tive 16 e 19 valores.

Portanto, se estão a ver este blog, se chegaram até cá, é porque se interessam por este assunto e porque, se calhar, até vos dava jeito alguém que vos poupasse tempo na transcrição. Na verdade, muitos investigadores não gostam nada da ideia de ter de transcrever... E é aí que eu gostaria de entrar!


Para mais informações sobre transcrições de documentos podem (e devem) sempre contactar-me pelo e-mail joanaaslamas@gmail.com. Nessa altura (e só porque este blog é público) claro que também darei o meu telefone e mais informações que me forem pedidas!

Para começar...


A Paleografia é a ciência que estuda a escrita antiga em material perecível. Ou seja, na maioria das vezes, em pergaminho, papiro, ou papel...

Não é só uma ciência auxiliar da História, embora seja essencial ao estudo de qualquer investigador/historiador, mas é por si só uma ciência pois tem um método também, tem regras precisas...

Há sempre muita gente que me pergunta, quando digo que já acabei o curso, o que pretendo fazer com ele e, ao ouvir a resposta "ainda não sei bem, mas tem de ser ligado a Paleografia" torcem o nariz e após alguns segundos perguntam: "Isso é o quê, exactamente?".

Nem sempre é fácil explicar. Tento dizer o que é, por alto para não massacrar as pessoas, porque sei que a grande maioria delas, principalmente as da área de História, abominam Paleografia e foi a última cadeira que fizeram no curso. E à minha explicação do que é a Paleografia, as respostas vão desde "Ah, é ler aqueles livrinhos podres de velhos" até "já sei, traduzes aqueles documentos antigos cheios de pó e que ninguém pode ver porque estão trancados a sete chaves". É uma mistura das duas coisas (de uma forma leiga, claro).

É verdade que os documentos antigos geralmente são os dos livrinhos podres de velhos mas nem sempre são podres e também podem não ser assim tão velhos. Há obras em bom estado (nada comparáveis com as epígrafes da Sé de Lisboa que, essas sim, são uma vergonha para o País).
Há a mania de se dizer que se traduzem documentos quando se fala de Paleografia quando o que se faz é transcrever. Os documentos geralmente são já em português. São num português antigo e diferente, é verdade. É o que vão achar os nossos netos daqui a alguns anos agora com o acordo ortográfico, quando começarem a ler homem sem h, facto sem c, e por aí...
E ainda bem que esses documentos antigos estão trancados a sete chaves. A liberdade é muito engraçada, e é muito bom toda a gente ter acesso a tudo, mas basta ir à Biblioteca da minha Faculdade (e calculo que às das outras) para se ver livros com folhas rasgadas, sublinhadas, dobradas, e afins. Claro, não são edições que se comparem, mas pelos vistos são pessoas que vêem os livros como uma coisa para ser tratada como sua, como se mais ninguém os fosse ler ou consultar... Por isso gosto muito da ideia dos Reservados e da Torre do Tombo, e de todos os Arquivos que por aí andam e que não dão acesso fácil aos livros raros, porque há sempre quem pensa que pode fazer o que quer...

O que eu gosto na Paleografia, é o desafio. Cada documento é diferente do outro. É ir descobrindo as letras, formar as palavras, e reparar que a cada linha que se lê o texto se torna mais claro e mais fácil. De repente é como se nem sequer tivesse sido difícil começar a lê-lo!

Às vezes desespera, claro. Aparecem manchas que não sabemos se são letras, se são sinais de parágrafo, se são números, se são um sinal qualquer... Pode ser um borrão. Até pode ser um erro do autor!!! Ah, mas depois descobrimos que afinal era um resto de uma letra que começa centímetros abaixo mas que, como o texto é tão importante, a letra do início tem de ter pompa e circunstância!! (isto acontece mais nas fotocópias rascas do que nos originais, claro).


Acho que o "clique" se deu quando, no 2º ano da Faculdade, tive uma visita de estudo organizada pela Professora Dra. Filipa Avelar (excelente Paleógrafa) à Torre do Tombo. A ideia era vermos um filme, uns microfilmes de alguns documentos da época que estavamos a estudar, e nada mais. E aí surgiu um rapaz que tinha sido aluno dessa mesma professora e se ofereceu para nos levar aos Arquivos (sim, aos "ARQUIVOS"). Eu parecia uma criança na feira popular, agarrada a códices, a papiros, a pergaminhos e a papéis, a percorrer os kms e kms de corredores que a Torre do Tombo tem com milhares e milhares de livros e papéis e... PALEOGRAFIA POR TODO O LADO!! Fiquei siderada, a verdade é essa. As outras pessoas que iam também olhavam para tudo com um ar mais indiferente e eu a pensar "será que não estão a ver esta maravilha"?

Enfim, estou a entusiasmar-me demais e não vale a pena porque tenho a certeza que já perceberam a ideia. A cereja em cima do bolo foi quando pegamos no Tratado de Tordesilhas, o próprio, o verdadeiro, o legítimo (que estava ali, consta, para uma exposição qualquer, porque acho que costuma estar na Biblioteca Nacional). Estive com ele na mão durante um minuto, a olhar para ele, e foi aí que percebi que o clique do princípio da visita não era apenas um clique, era uma decisão de vida... Estava ali a segurar na História de Portugal, tinha de seguir aquilo, tinha de ir às fontes!

A História de Portugal é imensa em termos de tempo e a escrita em galaico-português vem desde D. Dinis (1261 - 1325). Mas antes disso já se falava na terra que viria a ser território português noutras línguas que, confesso, ainda não me aventurei a explorar.

A experiência que tive na Faculdade foi óptima, embora eu gostasse tanto tanto da matéria que acabei por me sentir sempre um passo à frente (no dia do último teste já tinha transcrito os textos medievais todos do nosso Album de Paleografia) e isso também não era agradável em relação aos outros. Tinha que me ir retraíndo aos poucos...

Com imensa pena minha nunca fiz as cadeiras de Paleografia Moderna, não fui a tempo antes do fim do curso.

Curiosamente, não foram documentos medievais os primeiros que transcrevi "a sério" (como trabalho remunerado, digo eu). Um deles era um projecto com uma editora, a Dislivro, mas que acabou por não ir adiante, e por isso não o pude completar, fazendo apenas à volta de 400 páginas.

Agora estou a trabalhar num documento na Biblioteca Nacional para um amigo meu, do século XVIII. Tem sido um desafio mas tem-me sabido muito muito bem!
Espero que continuem a aparecer sempre oportunidades, cada vez mais frequentes e cada vez maiores!